quinta-feira, 8 de março de 2012

Hoje....

A minha última e derradeira aula. Que nem está a ser uma aula, porque tenho uma assistente espanhola que veio vender o peixe dela às minhas alunas.
Vou ter saudades desta partilha. É uma partilha que me preenche. Que me faz maior.
Está a custar-me deixar de trabalhar. Bem o que custa é deixar a escola. Eu adoro todo o ambiente escolar. Passei a maior parte da minha vida inserida neste contexto enquanto aluna, mas confesso que gosto muito de estar do outro lado, como professora e como psicóloga. Sei que gosto porque nunca me esqueço doque é ser aluna. E isso ajuda-me no trabalho.
Mas sei que tenho de ir embora. A minha Joaninha merece que me dedique mais a ela e a mim, e à nossa familia.
Em principio apartir de amanhã terei mais tempo, vou procurar estar mais presente aqui, até porque acho que vou precisar....

quinta-feira, 1 de março de 2012

Em frente...

Estou na reta final da minha gravidez. Penso que será a última.
Estou a despedir-me lentamente desta condição. Sentir um ser humano a nascer-me no corpo. Fruto do amor que nos une a alguém é absolutamente extraordinário.

Tenho vivido sem tempo para tantas coisas que gosto. Escrever, por exemplo. O médico disse-me para parar. É o que farei antes de parir. Vai-me saber bem. Preparar a vinda da Joana. Preparar a Leonor para a receber de coração e braços abertos.

No entanto vou ter saudades de algumas coisas do meu trabalho. De dar aulas. Sinto-me vocacionada para isso. E a resposta que tenho dos alunos e dos professores que me acompanham aquece-me a alma. Sou mesmo feliz a fazê-lo. Porque não me limito a transmitir conteúdos, misturo-os comigo, exemplifico com a vida, com as emoções e ilustro com sentimentos. É verdadeiramente um prazer fazê-lo. Mas a verdade é que não o farei. Gosto do trabalho de Gabinete, gosto quando eles chegam a medo e sem saberem o que dizer e ao sair me sorriem e me dizem: "Gostei. Obrigada."
Eles não precisam de agradecer. Na realidade quem agradece sou eu. Porque é a mim que eles preenchem, sou eu que fico maior. Gosto tanto deles. Tanto, que me entrego, desmesuradamente.
Fazer alguém pensar em si próprio numa perspetiva diferente e positiva, colocar um pouco de sol lá dentro, e às vezes ter de mostrar que é preciso forçar o conflito para acontecer a mudança, mas ser capaz de o fazer serenamente, com doçura, com capacidade de entender e sentir o sentimento do outro, é sem dúvida uma dádiva, não sei se divina ou se resultado daquilo que sou e que já trago na bagagem.
No entanto aquilo que mais gosto, é perceber todos os dias, que não sei nada. E tanto, tanto para aprender!

É exactamente isso que quero na minha vida, aprender. Com o meu companheiro. Com as minhas filhas. Com a minha profissão. Com os amigos. Para crescer. Para melhorar.

Para evoluir.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Urgência

Não tenho tido tempo. Nem vontade de escrever. Apenas me apetece parar. Sabaticamente.
Apetece-me curtir. Aproveitar um pouco mais a vida. E a fase final da minha gravidez.
Sinto a minha falta. Preciso de mim. E de namorar. De me rir. De me divertir. Sinto que é urgente fazê-lo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Um passo gigantesco de 145x190

Não é novidade que crescer é duro. Sabe bem atingir certos postos que a idade nos traz, mas muitas vezes o processo para lá chegar é doloroso. Somos muitas vezes incompreendidos e os nossos conflitos interiores são profundamente menosprezados pelos nossos pais que só OLHAM para nós quando começamos a ter insucesso escolar ou a responder mal em casa.
Escrevo hoje sobre este tema porque a minha filha deu um grande passo no sentido do seu crescimento. E eu sinto-me a crescer com ela. Já não sou mãe da bebé Nô-Nô, mas sim duma menina, de 3 anos que deixou de dormir numa cama de 90x130 e passou para uma de 145x190. Sim, pode parecer irrelevante mas faz toda a diferença. É claro que ela parece uma gota de água no oceano que é a cama, mas é um grande passo! E ontem quando fomos para o nosso ritual da leitura do livro antes de dormir e fiquei a vê-la adormecer dei-me conta que ela rapidamente vai encher aquela cama que ontem lhe pareceu tão grande, e tanto a orgulhou porque já é "uma minina gande". E estamos a vê-la crescer. O bom foi ela ter aceite bem e com agrado a nova cama como um passo emancipatório e natural da vida. Bom mesmo, é ela ter pais que a prepararam para isso. Que a entendem. E a OLHAM.

Hoje de manhã, acordou bem. A abraçar a minha barriga com instinto protetor pela irmã que ainda não nasceu. Do topo da sua maturidade de menina de 3 anos que já dorme numa cama grande.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ano Novo.

Foi um final de ano atribulado, entre acidentes de viação que felizmente foi só chapa, rolhões cerosos nos ouvidos da minha filha que causavam dor, cair com ela enquanto atravessamos a estrada e bater com a barriga no chão, ir para o hospital só confirmar que está tudo bem, enfim...valeu terminar o ano com um contrato assinado por tempo indeterminado com a Câmara da Vidigueira. UFFFFFF!! Graças a Deus e a todos aqueles que fizeram força para isso acontecer!

Fiquei em casa hoje. Está a saber-me bem. Sobretudo pelo volume de trabalho que consigo adiantar.
A passagem de ano foi calma. Apetecia-me assim. No recolhimento da minha casa, com a minha tribo. Gostei tanto do calor da lareira que finalmente pude aproveitar. Do chocolate quente que fiz na cafeteira de barro no lume de lenha e ter brindado com esse néctar com o meu amor. Qual Moet et Chandon...!!Chocolate quente na "escolatera" de barro!!! Bom, muito bom. Melhor ainda a companhia. A Leonor a brincar com a Luna (cadela que é a nossa nova aquisição), a conversa, o balanço, o futuro, a Joana. A partilha. Gostei.

Será um ano difícil. Resta-nos a luta, para que não seja tão mau como o governo o está a programar.
Desejo calor na alma a quem me ler. E coragem com garra quando pensar no dia de amanhã.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Outra vez.

Lembro-me de, lá atrás, onde a responsabilidade se resume a obedecer aos adultos, brincar no campo de trigo com uma corda grande para não me perder do meu amigo Pedro, escondiamo-nos e o outro só tinha que seguir a corda até nos acharmos. Era sempre ao entardecer quando ficava mais fresco. Eu adorava! Às vezes largava a corda para ele demorar mais tempo a achar-me e eu sentir o pulsar a terra, o cheiro do trigo, o vento quente na cara como se me arejasse a alma, o barulho daquele mar de Alentejo onde me sentia pertencer. 
Hoje apeteceu-me ser criança. Outra vez.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Passei só para dar noticias...

Já não escrevo há tanto tempo....
Tem acontecido tanta vida. Ora bem, morreram os meus dois cães. Mantorras e Babuja.
Tenho saudades deles.
Ando numa luta incessante com a minha ansiedade para saber se sou uma cidadã trabalhadora ou uma mera desempregada em 2012. No meio disto, o meu obstetra deixou de dar consultas. Apanhei um susto com o exame de despiste da trissomia 21 da minha bebé, mas parece que está tudo bem e esclarecido.
Tenho tido manifestações de carinho e reconhecimento por parte dos meus alunos, que me enchem o ego e reforçam a minha ideia de que tenho verdadeira vocação para dar aulas. E sou tão feliz quando o faço.
Infelizmente não me parece que o meu futuro passe pela escola. Mas às vezes a felicidade não se coaduna com as nossas necessidades. E nós temos uma casa, uma filha e outra a caminho....

Enfim, estamos em época de Natal. E só o quero atravessar com a minha familia, todos com saúde e ter a boa noticia de que sou uma mulher trabalhadora em 2012 e que a minha Joaninha venha ao mundo com saúde.