Hoje apeteceu-me ser criança. Outra vez.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Outra vez.
Lembro-me de, lá atrás, onde a responsabilidade se resume a obedecer aos adultos, brincar no campo de trigo com uma corda grande para não me perder do meu amigo Pedro, escondiamo-nos e o outro só tinha que seguir a corda até nos acharmos. Era sempre ao entardecer quando ficava mais fresco. Eu adorava! Às vezes largava a corda para ele demorar mais tempo a achar-me e eu sentir o pulsar a terra, o cheiro do trigo, o vento quente na cara como se me arejasse a alma, o barulho daquele mar de Alentejo onde me sentia pertencer.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Passei só para dar noticias...
Já não escrevo há tanto tempo....
Tem acontecido tanta vida. Ora bem, morreram os meus dois cães. Mantorras e Babuja.
Tenho saudades deles.
Ando numa luta incessante com a minha ansiedade para saber se sou uma cidadã trabalhadora ou uma mera desempregada em 2012. No meio disto, o meu obstetra deixou de dar consultas. Apanhei um susto com o exame de despiste da trissomia 21 da minha bebé, mas parece que está tudo bem e esclarecido.
Tenho tido manifestações de carinho e reconhecimento por parte dos meus alunos, que me enchem o ego e reforçam a minha ideia de que tenho verdadeira vocação para dar aulas. E sou tão feliz quando o faço.
Infelizmente não me parece que o meu futuro passe pela escola. Mas às vezes a felicidade não se coaduna com as nossas necessidades. E nós temos uma casa, uma filha e outra a caminho....
Enfim, estamos em época de Natal. E só o quero atravessar com a minha familia, todos com saúde e ter a boa noticia de que sou uma mulher trabalhadora em 2012 e que a minha Joaninha venha ao mundo com saúde.
Tem acontecido tanta vida. Ora bem, morreram os meus dois cães. Mantorras e Babuja.
Tenho saudades deles.
Ando numa luta incessante com a minha ansiedade para saber se sou uma cidadã trabalhadora ou uma mera desempregada em 2012. No meio disto, o meu obstetra deixou de dar consultas. Apanhei um susto com o exame de despiste da trissomia 21 da minha bebé, mas parece que está tudo bem e esclarecido.
Tenho tido manifestações de carinho e reconhecimento por parte dos meus alunos, que me enchem o ego e reforçam a minha ideia de que tenho verdadeira vocação para dar aulas. E sou tão feliz quando o faço.
Infelizmente não me parece que o meu futuro passe pela escola. Mas às vezes a felicidade não se coaduna com as nossas necessidades. E nós temos uma casa, uma filha e outra a caminho....
Enfim, estamos em época de Natal. E só o quero atravessar com a minha familia, todos com saúde e ter a boa noticia de que sou uma mulher trabalhadora em 2012 e que a minha Joaninha venha ao mundo com saúde.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Detesto...
Bufos. Que nos espiam a vida para prejudicar achando que com isso estão a fazer melhor às suas tristes vidas. Podem até conseguir alguma coisa, um emprego por exemplo. mas nunca conseguirão ser alguém que preste.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
33.
Acordei e das primeiras coisas que vi, foi logo, um daqueles sorrisos de menino traquina que me partem toda e que eu adoro. É doce. Aquece cá dentro. Dá força. é bom!
Tive uma festa espetacular logo de manhã, com a minha tribo em roupão a cantar-me os parabéns com um bolo feito por mim e duas velas da Hello Kitty em homenagem à minha filha. Adorei!
Soprei as velas e acariciei a minha Joana, quentinha dentro da minha barriga.
Tive um dia calmo. Como queria, sem stress de almoços, que estafam e não nos deixam aproveitar nada, por muito que se goste de estar em familia.
Mas eu queria um dia calmo, para mim, para nós cá de dentro.
Curti os meus amores. Agradeci a Deus por tê-los e por chegar aos 33 anos com capacidade de amar desta forma. Desmesurada. E como os amo. Aos 3.
No fim do dia tive uma surpresa. Não esperava. Mas a tua presença, o abraço no final, foi a melhor prenda que me poderias ter dado. Continuas a conhecer-me muito bem. E continuas a saber tocar-me na alma.Obrigada.
Tive o dia que quis. Ficou a faltar abraçar os meus pais. Mas abraçei hoje quem realmente queria abraçar.
Tive uma festa espetacular logo de manhã, com a minha tribo em roupão a cantar-me os parabéns com um bolo feito por mim e duas velas da Hello Kitty em homenagem à minha filha. Adorei!
Soprei as velas e acariciei a minha Joana, quentinha dentro da minha barriga.
Tive um dia calmo. Como queria, sem stress de almoços, que estafam e não nos deixam aproveitar nada, por muito que se goste de estar em familia.
Mas eu queria um dia calmo, para mim, para nós cá de dentro.
Curti os meus amores. Agradeci a Deus por tê-los e por chegar aos 33 anos com capacidade de amar desta forma. Desmesurada. E como os amo. Aos 3.
No fim do dia tive uma surpresa. Não esperava. Mas a tua presença, o abraço no final, foi a melhor prenda que me poderias ter dado. Continuas a conhecer-me muito bem. E continuas a saber tocar-me na alma.Obrigada.
Tive o dia que quis. Ficou a faltar abraçar os meus pais. Mas abraçei hoje quem realmente queria abraçar.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Joana.
Quis-te. Com todas as forças com que a alma e o corpo nos movem. Tanto.
Quis sentir nasceres-me. Estou a viver-te solitariamente. Interiormente.
És muito mais minha do que de qualquer pessoa. Porque te quero mais que ninguém.
Mas tento viver-te por completo. Por ser a última vez.
Não sei que mãe te vou ser. Que mulher serei quando te parir.
Mas sei que te quero muito. Que te amo tanto.
E que te quero aqui. Para fazer o meu melhor e ver-te crescer bem. Feliz.
Quis sentir nasceres-me. Estou a viver-te solitariamente. Interiormente.
És muito mais minha do que de qualquer pessoa. Porque te quero mais que ninguém.
Mas tento viver-te por completo. Por ser a última vez.
Não sei que mãe te vou ser. Que mulher serei quando te parir.
Mas sei que te quero muito. Que te amo tanto.
E que te quero aqui. Para fazer o meu melhor e ver-te crescer bem. Feliz.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Hoje estou assim.
E invade-me uma tristeza profunda. Enxugo as lágrimas na alma para não as fazer cair na tua frente. Para evitar o teu constrangimento e a pergunta: Atão?! Que é isso?!.
E sinto uma vontade tremenda de chorar. Estou no aquário da desmotivação e a ansiedade acompanha-me enquanto procuro a saída. Não queria perder a esperança. É preciso acreditar digo-me a mim mesma, numa tentativa de me convencer que o futuro pode vir a ser melhor.
Mas hoje preciso mesmo de colo. De carinho. Sinto falta da minha filha. Queria tê-la aqui agora. Ainda faltam tantas horas até ela. Preciso dela. Da energia. De a sentir aninhar-se a mim. Ela é unguento. Cura-me as feridas. Só por existir. Só por ser ela própria. Sem saber ou ter noção desse poder tremendo que tem em mim. Um dia ela saberá.
E sinto uma vontade tremenda de chorar. Estou no aquário da desmotivação e a ansiedade acompanha-me enquanto procuro a saída. Não queria perder a esperança. É preciso acreditar digo-me a mim mesma, numa tentativa de me convencer que o futuro pode vir a ser melhor.
Mas hoje preciso mesmo de colo. De carinho. Sinto falta da minha filha. Queria tê-la aqui agora. Ainda faltam tantas horas até ela. Preciso dela. Da energia. De a sentir aninhar-se a mim. Ela é unguento. Cura-me as feridas. Só por existir. Só por ser ela própria. Sem saber ou ter noção desse poder tremendo que tem em mim. Um dia ela saberá.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Bateu.
Fizeram-me esta pergunta no outro dia:
Porque é que insistes em ir atrás de quem já se foi embora da tua vida?
Bateu fundo. Significa assumir um corte que o meu coração não quer. E significa sobretudo que a outra pessoa já me cortou mas eu não quero assumir. Porque doí.
Se calhar há amizades que não duram pra sempre. Por muito que isso me doa.
Porque é que insistes em ir atrás de quem já se foi embora da tua vida?
Bateu fundo. Significa assumir um corte que o meu coração não quer. E significa sobretudo que a outra pessoa já me cortou mas eu não quero assumir. Porque doí.
Se calhar há amizades que não duram pra sempre. Por muito que isso me doa.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Ai Portugal, Portugal...
Ouvir logo pela manhã as notícias na Antena 1 e sentir um murro no estômago, uma vontade de bater em todos os membros dos governo dos últimos 20 anos, e depois pôr-me a um canto a chorar de desgosto por aquilo que fizeram e que estamos a fazer ao nosso país, foi como comecei o dia.
Onde está Portugal?
Como diria o Jorge Palma: "Ai, Portugal Portugal, de que é que tu estás à espera?"
Onde está Portugal?
Como diria o Jorge Palma: "Ai, Portugal Portugal, de que é que tu estás à espera?"
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Os medos vãos.
São tantas as coisas que me preocupam atualmente. Confesso que ando tão agitada que não tenho gozado a minha gravidez na sua plenitude. E devia, porque provavelmente será a última.
Na minha cabeça ecoam medos. Daqueles obsessivos que não conseguimos deixar de pensar. E resta-me pouca disponibilidade mental para o que é verdadeiramente essencial. O pior é que me perco facilmente entre eles, deixo-me levar e quando dou por mim, já não sou eu que me controlo. Deixo-me controlar.
Não gosto nada. É claro que ter consciência disto e assumi-lo já é meio caminho andado para ultrapassar.
Mas o medo de não ter emprego, é realmente o pior. Apavora-me. Embora ainda seja relativamente cedo para me preocupar com isso, confesso-me angustiada. Mas sempre tive o péssimo defeito de sofrer antes de tempo.
Pode ser que seja um sofrimento em vão.
Na minha cabeça ecoam medos. Daqueles obsessivos que não conseguimos deixar de pensar. E resta-me pouca disponibilidade mental para o que é verdadeiramente essencial. O pior é que me perco facilmente entre eles, deixo-me levar e quando dou por mim, já não sou eu que me controlo. Deixo-me controlar.
Não gosto nada. É claro que ter consciência disto e assumi-lo já é meio caminho andado para ultrapassar.
Mas o medo de não ter emprego, é realmente o pior. Apavora-me. Embora ainda seja relativamente cedo para me preocupar com isso, confesso-me angustiada. Mas sempre tive o péssimo defeito de sofrer antes de tempo.
Pode ser que seja um sofrimento em vão.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Casa.
No dia 24 de Setembro mudei de casa. Pela primeira desde há já alguns anos, sinto-me em casa. Uma casa onde vou fazer de tudo para ser feliz. É grande. Não é preciso uma casa grande para se ser feliz. Se fosse hoje creio que a construíamos mais pequena, mas foi a casa que quisemos. Os dois. Sempre soube que o tamanho da casa nada tem com felicidade. Se não é preciso uma casa grande para ser feliz também não é numa casa pequena que seremos. A felicidade faz-se nas pequenas grandes coisas da vida, como cultivar o amor e a amizade. Dentro de nós e para com os outros.
Esta casa é o meu refugio. Longe do mal. Daquele que me querem e tanto possível daquele que me fazem. Aqui quero criar novas raízes para crescer. Para ser. Mais e melhor.
Nesta casa aproprio-me do espaço de cada vez que a percorro, faço-a minha cada vez que a arrumo e levo-a comigo no peito quando saio todas as manhãs, ansiosa por voltar no final da tarde. Nunca me tinha acontecido isto. Isto é casa. A nossa. Tão bom.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Sem tempo...
Só sei que não paro. Acho até que durmo à pressa.
Porquê? Trabalho. Um a título profissional, que me está a dar um prazer enorme. Outro a título pessoal que me está a preencher por dentro e me faz feliz. Mudar e adaptar nunca foram tarefas fáceis.
Quando tiver mais tempo. Passo por cá.
Porquê? Trabalho. Um a título profissional, que me está a dar um prazer enorme. Outro a título pessoal que me está a preencher por dentro e me faz feliz. Mudar e adaptar nunca foram tarefas fáceis.
Quando tiver mais tempo. Passo por cá.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Estoicamente...
Às vezes passamos anos a fugir pra frente. Na esperança que algo não nos alcance. No entanto aquilo que apenas queremos que não nos alcance, está em nós e leva-mo-lo connosco. Carregamos, fingindo que não.
Na realidade fugir pra frente não é solução pra nada.
Fugir significa afastarmo-nos da nossa própria essência e raiz. E com isso afastamo-nos de quem nos lembra e nos reaviva isso.
Fugir pra frente significa que apenas fingimos que vivemos a vida.
Mas um dia, mais cedo ou mais tarde, por força das circunstâncias a vida bate-nos à porta e obriga-nos a fazer um auto-exame do que foi os últimos tempos (meses, anos, etc). E aí costuma desabar tudo.
É aí que precisamos de voltar à raiz. À essência. Aí voltamos às pessoas de antes. Algumas já lá não estão, cansaram-se de esperar, desistiram de investir sem retorno. Outras, estoicamente, lá estão.
Aí temos quase que começar do zero. Tudo porque algures na nossa vida não fomos capazes de desatar um nó (ou vários) que nos fariam andar pra frente em pleno e viver a vida cheia, mais completa.
É mais dificil assumir um problema e levar a cabo tudo para o ultrapassarmos, leve o tempo que levar, do que, levar o tempo a fugir pra frente, fingindo que o problema não existe, na esperança que pela rotina instalada da fuga pra frente, essa mentira interior se torne um dia verdade.
Eu escolhi não fugir pra frente. Tenho levado tempo a desatar o meu nó. Estou muito melhor hoje do que há um ano. E isso talvez só eu saiba. Só eu dê valor. Mas leve o tempo que levar, vou desatá-lo e viver em pleno. Como mereço. Não quero fugir pra frente. Nunca quis. Não saberia ser feliz a mentir-me a mim própria.
Na realidade fugir pra frente não é solução pra nada.
Fugir significa afastarmo-nos da nossa própria essência e raiz. E com isso afastamo-nos de quem nos lembra e nos reaviva isso.
Fugir pra frente significa que apenas fingimos que vivemos a vida.
Mas um dia, mais cedo ou mais tarde, por força das circunstâncias a vida bate-nos à porta e obriga-nos a fazer um auto-exame do que foi os últimos tempos (meses, anos, etc). E aí costuma desabar tudo.
É aí que precisamos de voltar à raiz. À essência. Aí voltamos às pessoas de antes. Algumas já lá não estão, cansaram-se de esperar, desistiram de investir sem retorno. Outras, estoicamente, lá estão.
Aí temos quase que começar do zero. Tudo porque algures na nossa vida não fomos capazes de desatar um nó (ou vários) que nos fariam andar pra frente em pleno e viver a vida cheia, mais completa.
É mais dificil assumir um problema e levar a cabo tudo para o ultrapassarmos, leve o tempo que levar, do que, levar o tempo a fugir pra frente, fingindo que o problema não existe, na esperança que pela rotina instalada da fuga pra frente, essa mentira interior se torne um dia verdade.
Eu escolhi não fugir pra frente. Tenho levado tempo a desatar o meu nó. Estou muito melhor hoje do que há um ano. E isso talvez só eu saiba. Só eu dê valor. Mas leve o tempo que levar, vou desatá-lo e viver em pleno. Como mereço. Não quero fugir pra frente. Nunca quis. Não saberia ser feliz a mentir-me a mim própria.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Coisas do amor...
Não é meu porque ninguém é nosso. Nem o amor que lhe tenho é meu. Flui de mim em energia e espalha-se por ele em cada gesto e pensamento que lhe devoto.
Gosto de me impregnar dele. De me deixar povoar. Sinto-lhe o cheiro com os dedos e fecho os olhos deitada ao lado dele para perpetuar momentos só meus. Capto-lhe a respiração e faço dela a melodia que me embala o sono. E quando sorri...oh, meu Deus, quando ele sorri, quebra-me de um sopro só, breve e quente, todas as barreiras, só com o sorriso.
Penetra-me e passeia-se na minha alma e fez dela a casa dele. Só de me olhar.
Esmiuça-me a nitidez de ser e desfaz os fantasmas, quando com cuidado e jeito, os entende.
Não é meu. É sim da minha existência. Da minha continuidade.
De nós existe o fruto. Nasce-me outro. Eles provam que não é meu o amor que lhe tenho. Porque o dou ao mundo. Porque lhe dou a ele. Todos os dias. Mesmo que nem sempre da mesma maneira. Mesmo que de maneiras mais tortuosas. O amor também tem destas coisas...
Gosto de me impregnar dele. De me deixar povoar. Sinto-lhe o cheiro com os dedos e fecho os olhos deitada ao lado dele para perpetuar momentos só meus. Capto-lhe a respiração e faço dela a melodia que me embala o sono. E quando sorri...oh, meu Deus, quando ele sorri, quebra-me de um sopro só, breve e quente, todas as barreiras, só com o sorriso.
Penetra-me e passeia-se na minha alma e fez dela a casa dele. Só de me olhar.
Esmiuça-me a nitidez de ser e desfaz os fantasmas, quando com cuidado e jeito, os entende.
Não é meu. É sim da minha existência. Da minha continuidade.
De nós existe o fruto. Nasce-me outro. Eles provam que não é meu o amor que lhe tenho. Porque o dou ao mundo. Porque lhe dou a ele. Todos os dias. Mesmo que nem sempre da mesma maneira. Mesmo que de maneiras mais tortuosas. O amor também tem destas coisas...
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Bom fim de semana!
Sentar-me nas escadas do alpendre da minha casa, com estes dois amigos/familia a meterem-se comigo, porque só querem é festas... e ouvir os sons do campo. A calma e a paz que me contagia e me sabe tão bem. Recolho-me em mim. E fico. Docemente.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Que futuro??
http://www.ionline.pt/conteudo/145706-geracao--rasca-ataques-panico-sao-mais-visiveis
Depois de ler a noticia do link acima, que de novo nada teve para mim infelizmente, cresce em mim a revolta.
As perturbações de ansiedade e de pânico são cada vez mais comuns, e são transversais na idade. É claro que muita gente não liga ao que sente e enquanto vão conseguindo funcionar minimamente nem sequer percebem que têm um problema, outros não o querem assumir.
O medo é a raíz e o caule desta duas perturbações. A forma como se desenvolvem os ramos é que faz derivar o tipo de patologia, se de pânico, se de ansiedade, se bipolar, se fóbica e por aí em diante.
Os sintomas são inumeros, e podem ir desde o medo de subir umas escadas até às alucinações passando pela depressão profunda (tecnicamente major), hipocondriase, perturbações de sono, como insónias sucessivas e prolongadas no tempo. Enfim, há toda uma panóplia de sintomas e perturbações associadas ao medo.
Atualmente, os jovens, deparando-se com a situação social em que vivem, sem prespetivas de futuro, com dificuldades maiores no presente, a viverem na sua maioria relações de carater virtual e fast (de fast food), com pais que lutam todos os dias para lhes dar um melhor futuro, outros nem por isso, pais estes que não têm tempo para os filhos. Como podem estes miudos??? Como?
A situação vai piorar. Acredito que os departamentos de saúde mental dos hospitais já não vão dar conta. As estatísticas de doenças mentais possiveis de elaborar vão aumentar os seus índices. E não temos, tal como não vamos ter estrutura para apoiar estas pessoas.
Daqui a uns anos que cidadãos vamos ter? Quem vão ser estas pessoas? Serão válidas?
É urgente fazer alguma coisa. Como urge diminuir o défice. Temos um país a adoecer a olhos vistos.
Se os jovens ficam doentes, que futuro teremos todos nós???
Depois de ler a noticia do link acima, que de novo nada teve para mim infelizmente, cresce em mim a revolta.
As perturbações de ansiedade e de pânico são cada vez mais comuns, e são transversais na idade. É claro que muita gente não liga ao que sente e enquanto vão conseguindo funcionar minimamente nem sequer percebem que têm um problema, outros não o querem assumir.
O medo é a raíz e o caule desta duas perturbações. A forma como se desenvolvem os ramos é que faz derivar o tipo de patologia, se de pânico, se de ansiedade, se bipolar, se fóbica e por aí em diante.
Os sintomas são inumeros, e podem ir desde o medo de subir umas escadas até às alucinações passando pela depressão profunda (tecnicamente major), hipocondriase, perturbações de sono, como insónias sucessivas e prolongadas no tempo. Enfim, há toda uma panóplia de sintomas e perturbações associadas ao medo.
Atualmente, os jovens, deparando-se com a situação social em que vivem, sem prespetivas de futuro, com dificuldades maiores no presente, a viverem na sua maioria relações de carater virtual e fast (de fast food), com pais que lutam todos os dias para lhes dar um melhor futuro, outros nem por isso, pais estes que não têm tempo para os filhos. Como podem estes miudos??? Como?
A situação vai piorar. Acredito que os departamentos de saúde mental dos hospitais já não vão dar conta. As estatísticas de doenças mentais possiveis de elaborar vão aumentar os seus índices. E não temos, tal como não vamos ter estrutura para apoiar estas pessoas.
Daqui a uns anos que cidadãos vamos ter? Quem vão ser estas pessoas? Serão válidas?
É urgente fazer alguma coisa. Como urge diminuir o défice. Temos um país a adoecer a olhos vistos.
Se os jovens ficam doentes, que futuro teremos todos nós???
terça-feira, 30 de agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Soneto da Fidelidade.
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes, in 'O Operário em Construção'
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes, in 'O Operário em Construção'
As amizades NÃO TÊM que durar pra sempre!!
Muitas vezes o que sentimos por alguém não é suficientemente forte para superar a mágoa que temos dessa pessoa.
Muitas vezes, a vida dessa pessoa ou apenas aquilo em que ela se tornou não nos agrada. Mas é preciso saber porquê. Porque nos lembra os nossos medos e aquilo que não conseguimos atingir. Ou então porque nós mudamos, o outro mudou e já não gostamos dele, simplesmente.
Em qualquer dos casos, é uma atitude madura admitir o que sentimos. Devemos fazê-lo por nós.
Se não se gosta, não gosta e pronto.
As amizades não duram para sempre. Ouvi esta frase recentemente.
Não concordo.
As amizades não têm que durar pra sempre. Se as pessoas envolvidas não quiserem que assim seja.
Se quisermos, do fundo da alma, se quisermos superar barreiras e construir algo ainda mais forte e positivo, conseguimos.
Se quisermos. Se formos capazes de esmiuçar a mágoa, falar dela, e deixá-la ir... perder a segura tristeza que ela nos confere.
É preciso ternura. Doçura. Entendimento. Vontade. Amor.
Muitas vezes, a vida dessa pessoa ou apenas aquilo em que ela se tornou não nos agrada. Mas é preciso saber porquê. Porque nos lembra os nossos medos e aquilo que não conseguimos atingir. Ou então porque nós mudamos, o outro mudou e já não gostamos dele, simplesmente.
Em qualquer dos casos, é uma atitude madura admitir o que sentimos. Devemos fazê-lo por nós.
Se não se gosta, não gosta e pronto.
As amizades não duram para sempre. Ouvi esta frase recentemente.
Não concordo.
As amizades não têm que durar pra sempre. Se as pessoas envolvidas não quiserem que assim seja.
Se quisermos, do fundo da alma, se quisermos superar barreiras e construir algo ainda mais forte e positivo, conseguimos.
Se quisermos. Se formos capazes de esmiuçar a mágoa, falar dela, e deixá-la ir... perder a segura tristeza que ela nos confere.
É preciso ternura. Doçura. Entendimento. Vontade. Amor.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
De pantanas!!
Há fases na vida que andamos assim. Nada está no lugar.
Os amigos não estão no lugar, ora são os que partem para longe, ora são os que preferem estar longe.
O corpo está a mudar (isso é bom) embora o processo tenha dias complicados.
A casa, bem a casa, a velha, parece uma "garreia de ciganos", nada está no sitio, nada está arrumado. A casa nova começa a parecer-se com uma casa, e o trabalho que ela dá começa agora a sentir-se. Estou farta da vizinha. Estou cansada de cinismos e hipocrisia. MESMO.
Tenho a minha sogra de cama lá em casa, porque em casa dela não descansa nada.Não tenho tido tempo para a minha filha. Estou em mudança. Nada está estável.
Precisava de acalmar, mas não será nos próximos meses.
Aguardo dias melhores.
Os amigos não estão no lugar, ora são os que partem para longe, ora são os que preferem estar longe.
O corpo está a mudar (isso é bom) embora o processo tenha dias complicados.
A casa, bem a casa, a velha, parece uma "garreia de ciganos", nada está no sitio, nada está arrumado. A casa nova começa a parecer-se com uma casa, e o trabalho que ela dá começa agora a sentir-se. Estou farta da vizinha. Estou cansada de cinismos e hipocrisia. MESMO.
Tenho a minha sogra de cama lá em casa, porque em casa dela não descansa nada.Não tenho tido tempo para a minha filha. Estou em mudança. Nada está estável.
Precisava de acalmar, mas não será nos próximos meses.
Aguardo dias melhores.
Para ti João
"Amigo
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!"
Alexandre O'Neill
És especial. Tens a magia dos poetas, a sensibilidade de quem sabe do outro por tanto navegar em si mesmo. Brilho no olhar de quem acredita no amor. Sempre vi amor nos teus olhos.E é isso que de ti fica em mim. Amor.
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!"
Alexandre O'Neill
És especial. Tens a magia dos poetas, a sensibilidade de quem sabe do outro por tanto navegar em si mesmo. Brilho no olhar de quem acredita no amor. Sempre vi amor nos teus olhos.E é isso que de ti fica em mim. Amor.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Rebecca Dautremer.
Nasceu no Sul de França e cursou artes gráficas na Escola Superior de Artes Gráficas de Paris. Tem várias publicações, sobretudo de livros infantis e foi responsável por uma edição limitada do frasco de perfume Flower by Kenzo.
Há quem diga que as ilustrações de um livro são a morte da imaginação que o leitor faz da história. Não concordo. Gosto muito de ilustrações. Quando abro um livro, antes de ler seja o que for absorvo as ilustrações e elas falam-me da sensibilidade da história, do que posso sentir através dela, das sensações e das experiências que posso ter ao viajar por aquele livro.
A Rebecca Dautremer, é desde há algum tempo a esta parte a minha ilustradora de eleição. Gosto do aveludado dos vermelhos, do casamento perfeito das cores quentes e frias, dos sentimentos que me provocam e de sentir que as ilustrações tocam a minha sensibilidade, não me condicionando a imaginação. Gosto do tamanho dos livros. São grandes, com tamanhos não padronizados, daqueles que temos dificuldade que caibam na estante. Gosto das histórias. Do Cyrano. Dos Apaixonados. Das Princesas. E outras que conheço. Apesar de não serem baratos, de vez em quando lá compro um livro com ilustrações dela à minha filha, sendo que eu sou a primeira consumidora.
Gosto muito do que ela, com os seus desenhos, me transmite. Sou fã.
Deixo-vos uma pequena coleção de imagens de ilustrações, com os votos de um excelente fim de semana.





Em Março de 2011 no CCB...
Maria Gadu. Gosto da música dela, de todas as canções. Gosto muito da voz. Gosto simplesmente.
Como não pude ir vê-la, fico-me por ouvir o concerto, hoje, na Antena 1 às 23h.
Fica aqui só um cheirinho das mais conhecidas, as outras se quiserem e gostarem descubram, vale a pena...
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Em memória de...
José Manuel Osório deixo-vos com um poema escrito, para ele, por Ary Santos.
Por acaso, um dos meus favoritos.
Desespero
Não eram meus os olhos que te olharam
Nem este corpo exausto que despi
Nem os lábios sedentos que poisaram
No mais secreto do que existe em ti.
Não eram meus os dedos que tocaram
Tua falsa beleza, em que não vi
Mais que os vícios que um dia me geraram
E me perseguem desde que nasci.
Não fui eu que te quis. E não sou eu
Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,
Possesso desta raiva que me deu
A grande solidão que de ti espero.
A voz com que te chamo é o desencanto
E o espermen que te dou, o desespero.
José Carlos Ary dos Santos
terça-feira, 9 de agosto de 2011
EU NUNCA VOU PARAR DE TE OLHAR.
Vale mesmo a pena ouvir.
Dedico a quem ama tanto, que não sabe parar de olhar. Por aqueles que ama.
Revolta.
Fiz o meu périplo pelas noticias de hoje. Vi que a criminalidade em Portugal está a aumentar (porque será?). Vi Londres a arder. Vi o Obama a estrebuchar. Vi que as médias nacionais dos exames do secundário são como o PSI 20, agravou a queda!
Somos mansos, como disse o Paulo Barriga.
Continuamos como nos quis e nos pôs aquele filho duma puta do Salazar.Com as orelhas baixas a comer na gamela e ainda a agradecer dos ossos secos e podres que lá nos metem.
Andamos a papar com um governinho de direita à moda da troika, porque o pseudo-governo do Zé, pá, andava a brincar ao "faz de conta", faz de conta que somos de esquerda.
O Zé pá, sabe tanto de Socialismo como de Engenharia Civil.
E cresce a minha revolta. Deveria ser a revolta de todos os cidadãos deste país, mas não...
Em Londres incendiam. Em Madrid manifestam-se acampando nas praças e indo para as ruas. Na Grécia, deixamos de saber, porque se soubessemos, poderiamos ficar com ideias parvas e reproduzir o mesmo em Portugal. E em França, também se manifestam. Na Alemanha fazem greves.
E nós porra???
E nós? Vamos continuar a engolir esta situação?
Um dia o MFA fez uma revolução em Portugal. Hoje não há MFA.
Hoje, tal como a 24 de Abril de 1974 é preciso uma revolução.
A sério.
É preciso o conflito para haver a mudança.
Será que ninguém acredita neste país? Será que ninguém tem forças para lutar?
Há 41 anos e 13 dias que morreu o Salazar!! Graças a Deus.
Não está na altura de nos libertarmos do estigma??
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
São (somos) mesmo Mansos....
São Mansos
(Editorial de Paulo Barriga na edição 1528 do “Diário do Alentejo”, de 5 de Agosto de 2011)
Das férias...
O PIOR:
Curtas.
Não fui à praia.
Não desarrumei e arrumei o que queria.
Não brinquei muito com a minha filha.
O MELHOR:
Tive um dos melhores presentes da minha vida.
Descansei.
Li. Bastante mais do que a rotina diária me deixa.
A minha filha divertiu-se apesar de longe dos pais.
Namorei. E também casei.
Fiz uma coisa que já tinha saudades de fazer. Andar de comboio.
BALANÇO:
Apesar de curtas, foram umas boas férias!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Um dia escrevi assim...
"Infinito Fevereiro 12, 2008
É este amor que te tenho. Nasces-me. Preenches-me. Completamente. Tenho por ti, o amor de colo, o amor da alma, da vida. Amor de mãe.
És a minha fragilidade, o que mais me deixa fraca, mas a minha maior força, que me transforma, me faz ir ao fim do mundo por ti, só por ti.
E por ti, mudo-me, reinvento-me, sofro calada para que não sofras por mim. Quero que lutes por ti, mesmo que isso signifique discutires comigo. Terei tanto orgulho em ti, se o fizeres!!
Quero que chores, que te frustres, que te desiludas com o primeiro amor, que te feches no quarto com a música alta para não ouvires os pensamentos, que te refugies, quero que tenhas dúvidas, quero que não queiras as minhas respostas, mas que as procures. Quero que te apaixones por algo que te dê muito prazer. Quero que sintas a vida na pele. Quero que sejas integro e honesto. Sincero com os sentimentos. E fiel, meu amor, quero-te fiel a ti mesmo. Apenas e só a ti. Só somos fieis aos outros se formos a nós mesmos.
Quero que sofras por os erros que cometes, quero que os assumas com dignidade. Quero que saibas mentir para ver se me enganas. Quero que saibas mentir aos outros, por achares que a verdade seria como ruído para essa pessoa, e nunca para a poupar.
Quero-te livre meu sonho. Livre de alma.
Que tenhas coragem de voar, apesar do medo.Quero que sejas tu.Integralmente. Consciente das tuas influências, mas sem medo e seguro das tuas opiniões. Quero que lutes por tudo aquilo em que acreditas. Profundamente.
E eu, meu amor, em todas as tuas quedas, estarei lá. Em todas as vitórias estarei lá. Vou tentar quebrar-te alguns silêncios. Respeitar outros. Vou tentar que converses comigo, quando eu vou ser a última pessoa com quem quererás falar. Eu sei como é. Não insistirei apesar da dor. Vou chorar mais que tu, a cada lágrima tua. Vai-me doer cada desilusão que tiveres. Não vou gostar se tiveres negativas ou se te baldares à escola pra estares com os amigos ou pra namorar. Não te vou dar tudo o que pedires. E serás contrariado, muitas vezes. Vais ter raiva de mim, e eu tentarei explicar. Um dia vais entender-me. Foi por amor. Tudo por amor.
Este amor infinito que te tenho. Infinito porque ultrapassará a morte.
Amo-te."
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Hmmm, o panito da Escurinha....
Não sei o nome da senhora. Mas chamam-lhe "Escurinha". Esta é uma foto da casa onde compro o pão.
É simplesmente delicioso. Excelente!!
O panito com linguiça é o melhor que alguma vez comi. Aconselho. Sai do forno a lenha apenas uma vez por dia.
P.S. Decidi postar isto porque enquanto escrevia enganava a fome, estou esganada!!!
terça-feira, 26 de julho de 2011
Ao Avô Mário e à Avó Teadora....
Só conheci um avô e uma avó. Avô paterno. Avó materna.
Avó Lurdes, morreu aos meus 6 anos. Cega. Via-me com as mãos. Se fechar os olhos e for até ela dentro de mim, ainda lhe sinto os dedos a passear na minha cara. Reconheço-lhe o cheiro. E revejo-a muito na minha mãe.
O Avô Manuel morreu em 2005. Dizia-me sempre:"Você ainda há-de ser uma grande mulher!".
Enrolava tabaco como ninguém. Só sabia fumar daquele. E arte e o amor com que o fazia...!!
Acho que ele tinha mais prazer em fazer o cigarro que fuma-lo.
Hoje, o meu pai é a imagem mais jovem do meu avô Manel. O andar. A maneira de falar. As manias. A teimosia. Tal e qual.
Os meus avós não morreram. Estou com eles quando estou com os meus pais ou os meus tios.
Estou com eles em todas as minhas conversas interiores.
Fazem parte de mim. E fazem parte também da minha filha. Porque os meus pais são avós.
E gosto muito dos meus pais enquanto avós. São excelentes!
Foram os pais que conseguiram ser. E para mim os melhores do mundo. Eu não vim com livro de instruções. Mas acho que eles conseguem ser melhores avós do que foram pais. Uma coisa é certa, brincam muito mais com a minha filha do que aquilo que brincaram comigo.
Ainda bem. Saúde é o que lhes desejo. Para nos acompanharem.
Avó Lurdes, morreu aos meus 6 anos. Cega. Via-me com as mãos. Se fechar os olhos e for até ela dentro de mim, ainda lhe sinto os dedos a passear na minha cara. Reconheço-lhe o cheiro. E revejo-a muito na minha mãe.
O Avô Manuel morreu em 2005. Dizia-me sempre:"Você ainda há-de ser uma grande mulher!".
Enrolava tabaco como ninguém. Só sabia fumar daquele. E arte e o amor com que o fazia...!!
Acho que ele tinha mais prazer em fazer o cigarro que fuma-lo.
Hoje, o meu pai é a imagem mais jovem do meu avô Manel. O andar. A maneira de falar. As manias. A teimosia. Tal e qual.
Os meus avós não morreram. Estou com eles quando estou com os meus pais ou os meus tios.
Estou com eles em todas as minhas conversas interiores.
Fazem parte de mim. E fazem parte também da minha filha. Porque os meus pais são avós.
E gosto muito dos meus pais enquanto avós. São excelentes!
Foram os pais que conseguiram ser. E para mim os melhores do mundo. Eu não vim com livro de instruções. Mas acho que eles conseguem ser melhores avós do que foram pais. Uma coisa é certa, brincam muito mais com a minha filha do que aquilo que brincaram comigo.
Ainda bem. Saúde é o que lhes desejo. Para nos acompanharem.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Metade...
Não quero pensar que nos perdemos. Não quero pensar que só não nos conseguimos encontrar.
Não quero pensar que preferes estar longe. Não quero pensar que para ti a distância é confortável.
Queria que soubesses que tenho saudades tuas. Dos chás. Dos cafés. Das conversas que os acompanhavam. Da cumplicidade. De saber que não precisava de explicar muita coisa porque tu já sabias tudo. Da tua lucidez de me veres. Da força que isso me dava. Da sensibilidade para me entenderes, para me falares sem me magoar.
Sinto mesmo muita falta de saber de ti. Pedir-te para saires um pouco desse lugar onde te tens escondido e que parece à prova de mim. Ou então sou eu que, parece, já não o sei abrir. Ou a distância calcinou a entrada. Não sei. Mas acho que a culpa é de quem fez a porta e de quem tem a chave. Perdeu-se o uso da chave. A porta custa a abrir.
Queria-te capaz de vencer o obstáculo e atingires o objetivo que mereces. Porque mereces. Porque é mágico demais para que alguém como tu fique à margem disso.Queria estar a teu lado.
Sei bem a minha culpa. Meti-me na minha vida. Dei-me pouco. Deixei que a vida mandasse mais que eu. Que a minha vontade. Desculpa por isso. Mas não te quero longe. De nada. Nunca quis.
És e serás sempre parte de mim.
Metade.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Entusiasmo!
Eduardo Hughes Galeano. Escritor uruguaio. Ainda não li nada dele. Mas só de o ouvir achei ENTUSIASMANTE!!
Bom fim de semana!
quinta-feira, 21 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Duas princesas e um príncipe.
Há mais de 20 anos que não lia a Cinderela. Continua a ser a minha história favorita do universo Disney.
Adorava o final. "E assim, a Cinderela e o Príncipe viveram felizes para sempre." E eu lá dava o meu
suspiro!
Hoje li e teatrealizei a Cinderela para duas meninas ciganas, a Vânia 12 anos e a Marisa de 9. Elas adoraram. Não conheciam a história. Foi fantástico o suspiro final que elas deram.
Depois apareceu o Carlos. 19 anos. Com uma filha. Um homem que não teve oportunidade de ser menino. Vi que ele estava curioso com a história. Perguntei se queria que lha contasse.
Foi logo buscar uma cadeira. Contei novamente. Ele bebia as minhas palavras e olhos dele não se podia abrir mais para conter as imagens do livro. Quando acabei, os olhos dele estavam brilhantes de lágrimas. E exclamou: " oh, dôtora, que história mai linda!"
Nem vos consigo descrever o que senti. Poder proporcionar as estas crianças, e incluo o Carlos, a experiência de uma história, que naturalmente eles não têm acesso, e que adoraram.
Registei que esta história não acaba com :"E viveram felizes para sempre..."; talvez por ser pouco realista, hoje em dia as histórias acabam com:"O Príncipe ama a Cinderela do fundo do coração e felizmente, a Cinderela tanbém descobriu que o ama!"
Também não acaba mal, não acham??
Bom fim de semana.
A magia do Cyrano.
Quando tinha 16 anos vi pela primeira vez este filme recomendado pela minha professora de Filosofia da altura.
Lembro-me o quanto me arrebatou. A história e a interpretação majestosa do Gerard Depardieu.
Lembro-me de ter pensado, que se alguém conseguiu interpretar a personagem do Cyrano daquela forma, é porque é capaz de sentir um amor assim.
Comprei o DVD há algum tempo. Ainda não o vi. Tenho medo de ter perdido a magia.
A magia de quem acredita num amor assim, e na capacidade extraordinária de o expressar por palavras.
O Cyrano fazia-o como ninguém, ou melhor, o Hercule-Savinien de Cyrano de Bergerac.
Escreveu o romance baseado na sua própria história.
O Hercule-Savinien tinha realmente um grande nariz. A beleza não o agraciou. Mas foi capaz de escrever o amor como só os iluminados fazem.
Deixo-vos a cena final, infelizmente traduzida em inglês.
Cyrano, depois de ter levado com uma trave na cabeça, ainda se levantou para não chegar atrasado à visita semanal que fazia à sua amada durante 14 anos.
Naquele dia morreu-lhe nos braços. Foi só nesse dia que ela descobriu que o amor da vida dela, era ele.
Lembro-me o quanto me arrebatou. A história e a interpretação majestosa do Gerard Depardieu.
Lembro-me de ter pensado, que se alguém conseguiu interpretar a personagem do Cyrano daquela forma, é porque é capaz de sentir um amor assim.
Comprei o DVD há algum tempo. Ainda não o vi. Tenho medo de ter perdido a magia.
A magia de quem acredita num amor assim, e na capacidade extraordinária de o expressar por palavras.
O Cyrano fazia-o como ninguém, ou melhor, o Hercule-Savinien de Cyrano de Bergerac.
Escreveu o romance baseado na sua própria história.
O Hercule-Savinien tinha realmente um grande nariz. A beleza não o agraciou. Mas foi capaz de escrever o amor como só os iluminados fazem.
Deixo-vos a cena final, infelizmente traduzida em inglês.
Cyrano, depois de ter levado com uma trave na cabeça, ainda se levantou para não chegar atrasado à visita semanal que fazia à sua amada durante 14 anos.
Naquele dia morreu-lhe nos braços. Foi só nesse dia que ela descobriu que o amor da vida dela, era ele.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Marisa.
Tem os olhos tão doces...Àvidos de mais. Meiga. Calma. Pura.
De quem não pertence ali. De quem quer mais. Precisa de mais.
É cigana. Tem alma de vento.
Vão prender-lhe a alma a quem não ama.
E ela quer mais. Ser mais.
E eu?
Queria resgata-la do rapto. Salvar-lhe a vida.
Ficar com ela, para a deixar voar. Até onde soprasse a sua alma de vento.
De quem não pertence ali. De quem quer mais. Precisa de mais.
É cigana. Tem alma de vento.
Vão prender-lhe a alma a quem não ama.
E ela quer mais. Ser mais.
E eu?
Queria resgata-la do rapto. Salvar-lhe a vida.
Ficar com ela, para a deixar voar. Até onde soprasse a sua alma de vento.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Ferida
Ainda me lembro do dia em que mudei a forma de andar, porque caí e a ferida que fiz no joelho foi tão grande e custou tanto a sarar que desde esse dia, no topo dos meus 7 anos passei a andar e a olhar para o chão. Hoje não me parece que fosse uma grande queda, foi normal como as quedas das crianças que fazem feridas nos joelhos. Mas o que interessa é que mudou a minha forma de andar para o resto da vida.
Há feridas que precisam de tempo para sarar. Mas saram. Podem é mudar a nossa forma de Viver. Muitas vezes mudar para melhor.
Aiiii, merda!!!!
Soube hoje que morreu a minha D. Manuela.
Tinha artrite reumatoíde. Conheci-a já estava acamada, vitima de avc isquémico que lhe afetou parte da memória e da fala.
Mas era um espetaculo! Ficamos amigas. Na realidade ninguém percebia o que ela dizia como eu. Comigo ela não precisava de se fazer entender. Eu sabia o que ela queria. Não sei porquê. Mas sabia.
A quem via, até as próprias filhas, lhes dava confusão como é que eu a entendia tão bem.
Chorei muito quando a vi partir. Mas fiz o meu papel, que era alivia-la.
Até hoje não sei o que me fazia percebê-la tão bem. Só sei que a olhava nos olhos e sabia. Sentia cá dentro.
Quanto à morte dela, respondo como ela respondia a quem a chateava: "Aiiii, merda!!"
Tinha artrite reumatoíde. Conheci-a já estava acamada, vitima de avc isquémico que lhe afetou parte da memória e da fala.
Mas era um espetaculo! Ficamos amigas. Na realidade ninguém percebia o que ela dizia como eu. Comigo ela não precisava de se fazer entender. Eu sabia o que ela queria. Não sei porquê. Mas sabia.
A quem via, até as próprias filhas, lhes dava confusão como é que eu a entendia tão bem.
Chorei muito quando a vi partir. Mas fiz o meu papel, que era alivia-la.
Até hoje não sei o que me fazia percebê-la tão bem. Só sei que a olhava nos olhos e sabia. Sentia cá dentro.
Quanto à morte dela, respondo como ela respondia a quem a chateava: "Aiiii, merda!!"
Reportagem de um dia revigorante!
Ver pela primeira vez um Peixe-Lua:
Passar numa estrada e ler isto:
E esperar 32 anos para entrar aqui:
Foram ótimos momentos!
Muito Obrigada a quem me proporcionou.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
As "legas"...
Não é fácil ser psicóloga e mãe.
Procuro desenvolver na minha filha, um sentido permanente de autonomia. Comportamental e Cognitiva.
Procuro que saiba comportar-se segundo as situações. Por isso previamente explico-lhe as regras de funcionamento de cada situação. E ela já pergunta:"Mãe, quais são as legas?".
Se vamos ver um espectáculo, ela terá que saber que deve estar sossegada e não pode fazer barulho. Quando lhe explico as regras, procuro que ela perceba sempre o porquê de cada uma delas. Se ela compreender porquê, será mais fácil cumpri-las e acomodará o comportamento como correto, replicando-o sempre que se adequar.
Na maioria das vezes, felizmente, sou muito mais mãe que psicóloga.
A minha filha agradece.
No entanto, a psicóloga tem ajudado muito a mãe.
E cada vez mais, tenho o sentimento crescente de que eu, enquanto mãe-psicóloga, poderia ajudar outras mães, que ao longo do desenvolvimento dos seus filhos cometem erros e depois na adolescência perguntam-se "aonde é que eu errei?".
Eu poderia ajudar. Porque eu também erro. Mas como sou psicóloga, sim porque isto tem contra-partidas, eu sei aonde erro!
Procuro desenvolver na minha filha, um sentido permanente de autonomia. Comportamental e Cognitiva.
Procuro que saiba comportar-se segundo as situações. Por isso previamente explico-lhe as regras de funcionamento de cada situação. E ela já pergunta:"Mãe, quais são as legas?".
Se vamos ver um espectáculo, ela terá que saber que deve estar sossegada e não pode fazer barulho. Quando lhe explico as regras, procuro que ela perceba sempre o porquê de cada uma delas. Se ela compreender porquê, será mais fácil cumpri-las e acomodará o comportamento como correto, replicando-o sempre que se adequar.
Na maioria das vezes, felizmente, sou muito mais mãe que psicóloga.
A minha filha agradece.
No entanto, a psicóloga tem ajudado muito a mãe.
E cada vez mais, tenho o sentimento crescente de que eu, enquanto mãe-psicóloga, poderia ajudar outras mães, que ao longo do desenvolvimento dos seus filhos cometem erros e depois na adolescência perguntam-se "aonde é que eu errei?".
Eu poderia ajudar. Porque eu também erro. Mas como sou psicóloga, sim porque isto tem contra-partidas, eu sei aonde erro!
quarta-feira, 6 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Resgate...
"O CÉU DO MEU PAI...
A propósito do meu pai e das suas expressões.....
Todos nós temos, há quem acredite que somos, um bocadinho de CÉU.
Todos nós vivemos situações, exteriormente ou intrinsecamente, que nos fazem felizes.
São momentos balsâmicos, revigorosos, que nos dão o prazer e o verdadeiro gosto da vida.
Esses momentos dependem de cada um de nós. De tudo o que somos. De tudo o que para nós importa verdadeiramente.
O meu pai é um homem simples. Passou muita fome. Sofreu uma vida inteira. Não é por isso uma pessoa muito fácil. É um excelente cozinheiro. Com um coração do tamanho do mundo!
Para o meu pai, o CÉU, é poder comer uma bordinha de panito mole com uma lasquinha de paio caseiro."
Escrevi este texto em Outubro de 2007. Estava perdido como tantos outros no tempo e na minha alma.
Felizmente a minha metade virtual, como já o fez tantas outras vezes, resgatou-me. De mim mesma. Obrigada.
Amigo
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill in "No Reino da Dinamarca"
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Que é de mim??
Que é de mim perdida no meu amor. Ouvir-te e sentir-me serena e pequena perante uma paisagem imensa.
Que é de mim no caminho até ti. Percorrer o trilho com brechas que me matam.
Que é de mim nas trevas que o diabo te deu. E que a mim iam matando.
Que é de mim, no teu sorriso de manhã. Vida.
Que é de mim quando me olhas. Sonhamos.
Que é de mim no teu toque. Paz.
Que é de mim quando calo. Por amor a ti.
Que é de mim com medo. De ires.
Que é de mim sozinha.
Que é de mim sem ti.
Que é de mim no caminho até ti. Percorrer o trilho com brechas que me matam.
Que é de mim nas trevas que o diabo te deu. E que a mim iam matando.
Que é de mim, no teu sorriso de manhã. Vida.
Que é de mim quando me olhas. Sonhamos.
Que é de mim no teu toque. Paz.
Que é de mim quando calo. Por amor a ti.
Que é de mim com medo. De ires.
Que é de mim sozinha.
Que é de mim sem ti.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Porque será?
Que me emociono SEMPRE, sem exceção, quando oiço isto:
http://oblogdoestevao.blogspot.com/2011/06/efeito-2-em-1.html
http://oblogdoestevao.blogspot.com/2011/06/efeito-2-em-1.html
PARABÉNS!
Hoje é o Dia Mundial das Redes Sociais. Um veículo, atualmente, privilegiado para comunicar.
Hoje é também o dia de anos de alguém do meu sangue, que carrega o mesmo nome de família e com quem não falo há anos.
Ele não tem facebook. Pelo menos com o nome dele.
Ele escolheu sair da minha rede social.
Tenho saudades dele. Do humor dele. Das nossas conversas.
Mesmo que ele tivesse Facebook não adiantava porque eu quero mesmo é falar com ele. Dar-lhe os parabéns. Saber dele.
Com o Facebook, revejo pessoas e acompanho aquilo que elas querem que eu acompanhe. E só nesta medida é positivo.
Para mim, nada substitui a presença do outro, o olhar, o tocar, a comunicação não-verbal que acompanha as conversas verbais. Sentir o outro.
Através do Facebook posso falar com tanta gente, mas hoje, logo hoje, não posso falar com quem quero.
Hoje é também o dia de anos de alguém do meu sangue, que carrega o mesmo nome de família e com quem não falo há anos.
Ele não tem facebook. Pelo menos com o nome dele.
Ele escolheu sair da minha rede social.
Tenho saudades dele. Do humor dele. Das nossas conversas.
Mesmo que ele tivesse Facebook não adiantava porque eu quero mesmo é falar com ele. Dar-lhe os parabéns. Saber dele.
Com o Facebook, revejo pessoas e acompanho aquilo que elas querem que eu acompanhe. E só nesta medida é positivo.
Para mim, nada substitui a presença do outro, o olhar, o tocar, a comunicação não-verbal que acompanha as conversas verbais. Sentir o outro.
Através do Facebook posso falar com tanta gente, mas hoje, logo hoje, não posso falar com quem quero.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Lindo!
DO AMOR
Que é do amor o rumo que nos leva
por desertos de areia e pedra dura?
E que é daquele outro que releva,
mas que o próprio amor não cura?
Que é do amor que sangra e dói,
que por ser amor é seu oposto,
padece de vontade e não corrói,
nascendo em cada dia já sol-posto?
Mas se o amor é a água que sacia
de um sorvo toda a sede presumida,
é também o que seca de agonia
por dentro e de forma consentida.
Corrompe para viver e, por ironia,
morrer de amor é como ganhar vida.
JOÃO
Que é do amor o rumo que nos leva
por desertos de areia e pedra dura?
E que é daquele outro que releva,
mas que o próprio amor não cura?
Que é do amor que sangra e dói,
que por ser amor é seu oposto,
padece de vontade e não corrói,
nascendo em cada dia já sol-posto?
Mas se o amor é a água que sacia
de um sorvo toda a sede presumida,
é também o que seca de agonia
por dentro e de forma consentida.
Corrompe para viver e, por ironia,
morrer de amor é como ganhar vida.
JOÃO
Uma nova figueira!
Ele até já sabia como ela era quando casou. Mas achou que após o casamento as coisas melhorassem.
Ela com o tempo ia mudando. Ele conseguiria que ela mudasse.
Não conseguiu.
A única coisa que ele conseguiu foi uma frustração enorme, foi desgostar dela, e não demorar muito tempo numa conversa para ter momentos de cólera. Passou a ter raiva dela. E não só ela não mudou, como está ainda pior.
Regar uma figueira que já está morta, é não reconhecer a sua morte.
É preciso, cortar, arrancá-la pela raiz, tratar a terra, deixar passar o tempo, e plantar uma nova figueira.
Às vezes na vida quando não conseguimos resolver a situação. Mais vale acabar com ela. Deixar passar tempo para aprender e curar feridas para depois, começar de novo.
Reagir
A maior prova da dificuldade de resolvermos as questões que nos incomodam, é a forma como reagimos quando somos chamados à atenção.
Se lidarmos bem com a situação, não temos reações intempestivas, assumimos a penalização, se houver.
Se não acomodamos bem a frustração, e a seguir alguém nos "dá na cabeça" temos tendência a protestar a achar que somos nós que temos razão, somos nós as vítimas e ainda nos damos ao luxo de tratar mal quem tem a ousadia de dizer:"Não devias ter feito isso!".
Na realidade, tudo se resume à forma como acomodamos as situações em nós.
Se nos sentimos em falta com algúem e nos chamam à atenção por isso, por norma não gostamos e até reagimos mal. E claro, o problema é de quem nos "puxou as orelhas", não é nosso.
Mas na realidade fomos nós que falhamos.
A capacidade de assumir que falhamos é para quem o seu sistema de defesa está de tal forma elaborado que não se sente ameaçado por assumir um erro. Isso é só para alguns.
Os outros, os "que se passam" quando lhes apontam os erros, mesmo que eles dentro deles já os tivessem reconhecido como tal, mas não os admitem, esses correm o sério risco de se tornarem arrogantes.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
O Amor a Portugal!
Segunda figura de Estado. MULHER! Que conquista, para a própria (que por o que me parece tem todo o mérito) e para o género feminino.
Gostei do discurso. Da "reinvenção da democracia". Não sei se o seu novo lugar e estatuto lhe dá poder para iniciar uma nova era. Não sei se é possível reinventar Portugal e cumpri-lo como falava a Dulce Pontes, mas eu ainda acredito.
Sensibilizou-me a postura e a atitude desta senhora.
Desejo que seja feliz. Porque acredito que se assim for é porque cumprirá os seus objetivos.
E que se CUMPRA O AMOR A PORTUGAL!
Bom fim de semana.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
QUADRATURA
A vida colheu-me cedo:
quase desde que nasci,
e assim perdi o medo
do que mais tarde vivi.
Pechinchas, amendoins,
as letras do abecedário,
são meios, não são fins:
contas de outro rosário.
Apaguei fogos alheios,
de amores, assim-assim.
Beijos e afectos, dei-os,
não os guardei para mim.
As providências que tomo,
sempre que a fome poisa,
limitam-se à poesia, como
quem não quer a coisa.
João de Sousa Teixeira
quase desde que nasci,
e assim perdi o medo
do que mais tarde vivi.
Pechinchas, amendoins,
as letras do abecedário,
são meios, não são fins:
contas de outro rosário.
Apaguei fogos alheios,
de amores, assim-assim.
Beijos e afectos, dei-os,
não os guardei para mim.
As providências que tomo,
sempre que a fome poisa,
limitam-se à poesia, como
quem não quer a coisa.
João de Sousa Teixeira
Se os Tubarões Fossem Homens
"Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que zelam pelo belo futuro dos peixinhos. Incutir-se-ia nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelras seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelras dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelras dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens."
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que zelam pelo belo futuro dos peixinhos. Incutir-se-ia nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelras seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelras dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelras dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens."
Bertold Brecht
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