quarta-feira, 27 de julho de 2011

Hmmm, o panito da Escurinha....



Não sei o nome da senhora. Mas chamam-lhe "Escurinha". Esta é uma foto da casa onde compro o pão.
É simplesmente delicioso. Excelente!!
O panito com linguiça é o melhor que alguma vez comi. Aconselho. Sai do forno a lenha apenas uma vez por dia.

P.S. Decidi postar isto porque enquanto escrevia enganava a fome, estou esganada!!!

Uma delicia...!!


Valter Hugo Mae e Regina Duarte.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ao Avô Mário e à Avó Teadora....

Só conheci um avô e uma avó. Avô paterno. Avó materna.

Avó Lurdes, morreu aos meus 6 anos. Cega. Via-me com as mãos. Se fechar os olhos e for até ela dentro de mim, ainda lhe sinto os dedos a passear na minha cara. Reconheço-lhe o cheiro. E revejo-a muito na minha mãe.

O Avô Manuel morreu em 2005. Dizia-me sempre:"Você ainda há-de ser uma grande mulher!".
Enrolava tabaco como ninguém. Só sabia fumar daquele. E arte e o amor com que o fazia...!!
Acho que ele tinha mais prazer em fazer o cigarro que fuma-lo.
Hoje, o meu pai é a imagem mais jovem do meu avô Manel. O andar. A maneira de falar. As manias. A teimosia. Tal e qual.

Os meus avós não morreram. Estou com eles quando estou com os meus pais ou os meus tios.
Estou com eles em todas as minhas conversas interiores.
Fazem parte de mim. E fazem parte também da minha filha. Porque os meus pais são avós.
E gosto muito dos meus pais enquanto avós. São excelentes!

Foram os pais que conseguiram ser. E para mim os melhores do mundo. Eu não vim com livro de instruções. Mas acho que eles conseguem ser melhores avós do que foram pais. Uma coisa é certa, brincam muito mais com a minha filha do que aquilo que brincaram comigo.
Ainda bem. Saúde é o que lhes desejo. Para nos acompanharem.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Metade...



Não quero pensar que nos perdemos. Não quero pensar que só não nos conseguimos encontrar.
Não quero pensar que preferes estar longe. Não quero pensar que para ti a distância é confortável.

Queria que soubesses que tenho saudades tuas. Dos chás. Dos cafés. Das conversas que os acompanhavam. Da cumplicidade. De saber que não precisava de explicar muita coisa porque tu já sabias tudo. Da tua lucidez de me veres. Da força que isso me dava. Da sensibilidade para me entenderes, para me falares sem me magoar.

Sinto mesmo muita falta de saber de ti. Pedir-te para saires um pouco desse lugar onde te tens escondido e que parece à prova de mim. Ou então sou eu que, parece, já não o sei abrir. Ou a distância calcinou a entrada. Não sei. Mas acho que a culpa é de quem fez a porta e de quem tem a chave. Perdeu-se o uso da chave. A porta custa a abrir.

Queria-te capaz de vencer o obstáculo e atingires o objetivo que mereces. Porque mereces. Porque é mágico demais para que alguém como tu fique à margem disso.Queria estar a teu lado.

Sei bem a minha culpa. Meti-me na minha vida. Dei-me pouco. Deixei que a vida mandasse mais que eu. Que a minha vontade. Desculpa por isso. Mas não te quero longe. De nada. Nunca quis.
És e serás sempre parte de mim.
Metade.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Entusiasmo!


Eduardo Hughes Galeano. Escritor uruguaio. Ainda não li nada dele. Mas só de o ouvir achei ENTUSIASMANTE!!
Bom fim de semana!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

RRRRRR....



"O ato oeu a olha da gaáfa do ei da ússia!"
É assim à moda da minha filha.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Às vezes acho...


... que ter paciência é uma arte!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Duas princesas e um príncipe.


Há mais de 20 anos que não lia a Cinderela. Continua a ser a minha história favorita do universo Disney.
Adorava o final. "E assim, a Cinderela e o Príncipe viveram felizes para sempre." E eu lá dava o meu
suspiro!

Hoje li e teatrealizei a Cinderela para duas meninas ciganas, a Vânia 12 anos e a Marisa de 9. Elas adoraram. Não conheciam a história. Foi fantástico o suspiro final que elas deram.
Depois apareceu o Carlos. 19 anos. Com uma filha. Um homem que não teve oportunidade de ser menino. Vi que ele estava curioso com a história. Perguntei se queria que lha contasse.
Foi logo buscar uma cadeira. Contei novamente. Ele bebia as minhas palavras e olhos dele não se podia abrir mais para conter as imagens do livro. Quando acabei, os olhos dele estavam brilhantes de lágrimas. E exclamou: " oh, dôtora, que história mai linda!"

Nem vos consigo descrever o que senti. Poder proporcionar as estas crianças, e incluo o Carlos, a experiência de uma história, que naturalmente eles não têm acesso, e que adoraram.

Registei que esta história não acaba com :"E viveram felizes para sempre..."; talvez por ser pouco realista, hoje em dia as histórias acabam com:"O Príncipe ama a Cinderela do fundo do coração e felizmente, a Cinderela tanbém descobriu que o ama!"
Também não acaba mal, não acham??
Bom fim de semana.

A magia do Cyrano.

Quando tinha 16 anos vi pela primeira vez este filme recomendado pela minha professora de Filosofia da altura.
Lembro-me o quanto me arrebatou. A história e a interpretação majestosa do Gerard Depardieu.
Lembro-me de ter pensado, que se alguém conseguiu interpretar a personagem do Cyrano daquela forma, é porque é capaz de sentir um amor assim.


Comprei o DVD há algum tempo. Ainda não o vi. Tenho medo de ter perdido a magia.
A magia de quem acredita num amor assim, e na capacidade extraordinária de o expressar por palavras.
O Cyrano fazia-o como ninguém, ou melhor, o Hercule-Savinien de Cyrano de Bergerac.
Escreveu o romance baseado na sua própria história.


O Hercule-Savinien tinha realmente um grande nariz. A beleza não o agraciou. Mas foi capaz de escrever o amor como só os iluminados fazem.


Deixo-vos a cena final, infelizmente traduzida em inglês. 
Cyrano, depois de ter levado com uma trave na cabeça, ainda se levantou para não chegar atrasado à visita semanal que fazia à sua amada durante 14 anos.
Naquele dia morreu-lhe nos braços. Foi só nesse dia que ela descobriu que o amor da vida dela, era ele.







terça-feira, 12 de julho de 2011

Marisa.

Tem os olhos tão doces...Àvidos de mais. Meiga. Calma. Pura.
De quem não pertence ali. De quem quer mais. Precisa de mais.
É cigana. Tem alma de vento.
Vão prender-lhe a alma a quem não ama.
E ela quer mais. Ser mais.
E eu?
Queria resgata-la do rapto. Salvar-lhe a vida.
Ficar com ela, para a deixar voar. Até onde soprasse a sua alma de vento.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ferida



Ainda me lembro do dia em que mudei a forma de andar, porque caí e a ferida que fiz no joelho foi tão grande e custou tanto a sarar que desde esse dia, no topo dos meus 7 anos passei a andar e a olhar para o chão. Hoje não me parece que fosse uma grande queda, foi normal como as quedas das crianças que fazem feridas nos joelhos. Mas o que interessa é que mudou a minha forma de andar para o resto da vida.

Há feridas que precisam de tempo para sarar. Mas saram. Podem é mudar a nossa forma de Viver. Muitas vezes mudar para melhor.

Aiiii, merda!!!!

Soube hoje que morreu a minha D. Manuela.
Tinha artrite reumatoíde. Conheci-a já estava acamada, vitima de avc isquémico que lhe afetou parte da memória e da fala.
Mas era um espetaculo! Ficamos amigas. Na realidade ninguém percebia o que ela dizia como eu. Comigo ela não precisava de se fazer entender. Eu sabia o que ela queria. Não sei porquê. Mas sabia.
A quem via, até as próprias filhas, lhes dava confusão como é que eu a entendia tão bem.
Chorei muito quando a vi partir. Mas fiz o meu papel, que era alivia-la.
Até hoje não sei o que me fazia percebê-la tão bem. Só sei que a olhava nos olhos e sabia. Sentia cá dentro.
Quanto à morte dela, respondo como ela respondia a quem a chateava: "Aiiii, merda!!"

Reportagem de um dia revigorante!

Ver pela primeira vez um Peixe-Lua:


Passar numa estrada e ler isto:


E esperar 32 anos para entrar aqui:


Foram ótimos momentos!
Muito Obrigada a quem me proporcionou.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

As "legas"...

Não é fácil ser psicóloga e mãe.
Procuro desenvolver na minha filha, um sentido permanente de autonomia. Comportamental e Cognitiva.
Procuro que saiba comportar-se segundo as situações. Por isso previamente explico-lhe as regras de funcionamento de cada situação. E ela já pergunta:"Mãe, quais são as legas?".
Se vamos ver um espectáculo,  ela terá que saber que deve estar sossegada e não pode fazer barulho. Quando lhe explico as regras, procuro que ela perceba sempre o porquê de cada uma delas. Se ela compreender porquê, será mais fácil cumpri-las e acomodará o comportamento como correto, replicando-o sempre que se adequar.

Na maioria das vezes, felizmente, sou muito mais mãe que psicóloga.
A minha filha agradece.
No entanto, a psicóloga tem ajudado muito a mãe.
E cada vez mais, tenho o sentimento crescente de que eu, enquanto mãe-psicóloga, poderia ajudar outras mães, que ao longo do desenvolvimento dos seus filhos cometem erros e depois na adolescência perguntam-se "aonde é que eu errei?".

Eu poderia ajudar. Porque eu também erro. Mas como sou psicóloga, sim porque isto tem contra-partidas, eu sei aonde erro!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Hoje...



Não me recomendo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

EU...


. . . gosto mesmo muito desta música!

Resgate...

"O CÉU DO MEU PAI...


A propósito do meu pai e das suas expressões.....
 Todos nós temos, há quem acredite que somos, um bocadinho de CÉU.
Todos nós vivemos situações, exteriormente ou intrinsecamente, que nos fazem felizes. 


São momentos balsâmicos, revigorosos, que nos dão o prazer e o verdadeiro gosto da vida.
Esses momentos dependem de cada um de nós. De tudo o que somos. De tudo o que para nós importa verdadeiramente.


O meu pai é um homem simples. Passou muita fome. Sofreu uma vida inteira. Não é por isso uma pessoa muito fácil. É um excelente cozinheiro. Com um coração do tamanho do mundo!


Para o meu pai, o CÉU, é poder comer uma bordinha de panito mole com uma lasquinha de paio caseiro."




Escrevi este texto em Outubro de 2007. Estava perdido como tantos outros no tempo e na minha alma.
Felizmente a minha metade virtual, como já o fez tantas outras vezes, resgatou-me. De mim mesma. Obrigada.

Amigo

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!




Alexandre O'Neill in "No Reino da Dinamarca"

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Metade.


Bom fim de semana.

Que é de mim??

Que é de mim perdida no meu amor. Ouvir-te e sentir-me serena e pequena perante uma paisagem imensa.
Que é de mim no caminho até ti. Percorrer o trilho com brechas que me matam.
Que é de mim nas trevas que o diabo te deu. E que a mim iam matando.

Que é de mim, no teu sorriso de manhã. Vida.
Que é de mim quando me olhas. Sonhamos.
Que é de mim no teu toque. Paz.

Que é de mim quando calo. Por amor a ti.
Que é de mim com medo. De ires.
Que é de mim sozinha.

Que é de mim sem ti.