DO AMOR
Que é do amor o rumo que nos leva
por desertos de areia e pedra dura?
E que é daquele outro que releva,
mas que o próprio amor não cura?
Que é do amor que sangra e dói,
que por ser amor é seu oposto,
padece de vontade e não corrói,
nascendo em cada dia já sol-posto?
Mas se o amor é a água que sacia
de um sorvo toda a sede presumida,
é também o que seca de agonia
por dentro e de forma consentida.
Corrompe para viver e, por ironia,
morrer de amor é como ganhar vida.
JOÃO
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