Tinha artrite reumatoíde. Conheci-a já estava acamada, vitima de avc isquémico que lhe afetou parte da memória e da fala.
Mas era um espetaculo! Ficamos amigas. Na realidade ninguém percebia o que ela dizia como eu. Comigo ela não precisava de se fazer entender. Eu sabia o que ela queria. Não sei porquê. Mas sabia.
A quem via, até as próprias filhas, lhes dava confusão como é que eu a entendia tão bem.
Chorei muito quando a vi partir. Mas fiz o meu papel, que era alivia-la.
Até hoje não sei o que me fazia percebê-la tão bem. Só sei que a olhava nos olhos e sabia. Sentia cá dentro.
Quanto à morte dela, respondo como ela respondia a quem a chateava: "Aiiii, merda!!"
Sem comentários:
Enviar um comentário