Só conheci um avô e uma avó. Avô paterno. Avó materna.
Avó Lurdes, morreu aos meus 6 anos. Cega. Via-me com as mãos. Se fechar os olhos e for até ela dentro de mim, ainda lhe sinto os dedos a passear na minha cara. Reconheço-lhe o cheiro. E revejo-a muito na minha mãe.
O Avô Manuel morreu em 2005. Dizia-me sempre:"Você ainda há-de ser uma grande mulher!".
Enrolava tabaco como ninguém. Só sabia fumar daquele. E arte e o amor com que o fazia...!!
Acho que ele tinha mais prazer em fazer o cigarro que fuma-lo.
Hoje, o meu pai é a imagem mais jovem do meu avô Manel. O andar. A maneira de falar. As manias. A teimosia. Tal e qual.
Os meus avós não morreram. Estou com eles quando estou com os meus pais ou os meus tios.
Estou com eles em todas as minhas conversas interiores.
Fazem parte de mim. E fazem parte também da minha filha. Porque os meus pais são avós.
E gosto muito dos meus pais enquanto avós. São excelentes!
Foram os pais que conseguiram ser. E para mim os melhores do mundo. Eu não vim com livro de instruções. Mas acho que eles conseguem ser melhores avós do que foram pais. Uma coisa é certa, brincam muito mais com a minha filha do que aquilo que brincaram comigo.
Ainda bem. Saúde é o que lhes desejo. Para nos acompanharem.
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